As cegonhas-pretas realizam posturas que variam entre 1 e 6 ovos, sendo as de 3 ou 4 ovos as mais frequentes. Posturas com 2 ovos são raras e as de 5 são pouco frequentes. posturas de 1 ou 6 ovos são extremamente raras, tendo estas últimas apenas sido observadas 2 vezes, nas populações da Europa de Leste (uma delas na Hungria).
O tempo de incubação varia entre os 34 e os 36 dias e as crias iniciam os primeiros voos normalmente entre os 60 e os 70 dias. Continuarão a utilizar o ninho para dormir e descansar durante mais uma ou duas semanas, antes de se deslocarem para as áreas de concentração pós-nupcial, que antecedem a migração para os locais de invernada.
domingo, 22 de março de 2009
Como se procede à marcação das cegonhas-pretas com anilhas de cor?
Em Portugal marcaram-se com anilhas de cor quase exclusivamente crias no ninho. As únicas excepções foram alguns jovens já voadores que deram entrada em centros de recuperação (situação que aconteceu no ano passado com uma das crias deste casal, mas que infelizmente não sobreviveu), por exemplo por se terem magoado na fase em que ainda tinham pouca segurança no voo, e uma ave adulta que foi capturada deliberadamente para que lhe fosse colocado um emissor de satélite no âmbito de um estudo efectuado para avaliar a perigosidade de uma linha eléctrica.
A marcação das crias é precedida de uma preparação bastante cuidada, no sentido de estudar qual a melhor e mais segura abordagem aos ninhos e apenas é efectuada numa "janela" de tempo em que não são demasiado pequenas para marcar, nem suficientemente grandes para haver o risco de tentarem fugir, atirando-se dos ninhos antes do que fariam numa situação natural. Este período, no caso da cegonha-preta, situa-se entre os 30 e os 40 dias.
A marcação das crias é precedida de uma preparação bastante cuidada, no sentido de estudar qual a melhor e mais segura abordagem aos ninhos e apenas é efectuada numa "janela" de tempo em que não são demasiado pequenas para marcar, nem suficientemente grandes para haver o risco de tentarem fugir, atirando-se dos ninhos antes do que fariam numa situação natural. Este período, no caso da cegonha-preta, situa-se entre os 30 e os 40 dias.
Como distinguir os sexos na cegonha-preta?
A cegonha-preta, como a cegonha-branca, apresentam um dismorfismo sexual muito reduzido, sendo o macho e a fêmea praticamente iguais. Há contudo algumas pequenas diferenças que podem ser utilizadas, principalmente quando as aves são vistas juntas, mas que nem sempre são conclusivas. Os machos são geralmente ligeiramente maiores que as fêmeas e apresentam maior extensão de vermelho em volta do olho. A forma do bico por vezes também é distinta sendo a mandíbula inferior do macho ligeiramente abaulada, enquanto que a da fêmea é, por norma, direita (que lhe confere um aspecto de adaga).
Mas estes caracteres geralmente não permitem atribuir o sexo às aves com segurança, nem para os olhos mais experientes e treinados, especialmente se os indivíduos forem observados sozinhos. Só através de análise molecular, por exemplo a uma pena ou a umas gotas de sangue, ou por observação de cópulas em casais em que existam aves marcadas com anilhas se pode ficar com a certeza absoluta.
Em Portugal o ICNB desenvolveu-se recentemente um estudo que pretendeu, entre outros aspectos, analisar a variabilidade genética da população e comparar a estrutura genética das cegonhas-pretas da Península Ibérica com as da Europa Central e de Leste, populações que estariam, aparentemente separadas geograficamente. As amostras recolhidas permitiram também conhecer o sexo de um grande número de crias, agumas das quais foram já encontradas como aves adultas reprodutoras. Não é o caso do macho do casal que estamos a seguir. O seu sexo foi conhecido através do comportamento, como muitos de vós puderam já comprovar repetidas vezes.
Os resultados
Mas estes caracteres geralmente não permitem atribuir o sexo às aves com segurança, nem para os olhos mais experientes e treinados, especialmente se os indivíduos forem observados sozinhos. Só através de análise molecular, por exemplo a uma pena ou a umas gotas de sangue, ou por observação de cópulas em casais em que existam aves marcadas com anilhas se pode ficar com a certeza absoluta.
Em Portugal o ICNB desenvolveu-se recentemente um estudo que pretendeu, entre outros aspectos, analisar a variabilidade genética da população e comparar a estrutura genética das cegonhas-pretas da Península Ibérica com as da Europa Central e de Leste, populações que estariam, aparentemente separadas geograficamente. As amostras recolhidas permitiram também conhecer o sexo de um grande número de crias, agumas das quais foram já encontradas como aves adultas reprodutoras. Não é o caso do macho do casal que estamos a seguir. O seu sexo foi conhecido através do comportamento, como muitos de vós puderam já comprovar repetidas vezes.
Os resultados
sexta-feira, 20 de março de 2009
Notícias sobre a cegonha-preta anilhada
Bom dia,
Pude confirmar recentemente, e contando com o apoio de um fiel seguidor do site, o Jorge, do Arneiro, a anilha da cegonha-preta marcada com anilha de cor. Trata-se de um indivíduo que nasceu em 1999, num ninho não muito distante das Portas de Ródão (a 11 km para ser mais exacto) e que foi marcada por mim como cria não voadora, numa ninhada composta por 4 crias. É um macho.
Como suspeitava, é o mesmo que se encontrava a nidificar naquele local desde 2003, ano em que o casal das Portas de Ródão se instalou.
Esta ave reproduziu-se pela primeira vez no seu 4º ano de vida (geralmente iniciam a reprodução entre o 3º e o 5º ano) e tem vindo a nidificar naquele local desde então.
A sua parceira actual não se encontra marcada, mas a anterior estava e num próximo post contarei mais em detalhe o que sei sobre os indivíduos deste casal.
Boas observações. Eu estarei a monitorizar outros casais de cegonha-preta e outras espécies e espero que depois contem o que se passou hoje. Até breve
Pude confirmar recentemente, e contando com o apoio de um fiel seguidor do site, o Jorge, do Arneiro, a anilha da cegonha-preta marcada com anilha de cor. Trata-se de um indivíduo que nasceu em 1999, num ninho não muito distante das Portas de Ródão (a 11 km para ser mais exacto) e que foi marcada por mim como cria não voadora, numa ninhada composta por 4 crias. É um macho.
Como suspeitava, é o mesmo que se encontrava a nidificar naquele local desde 2003, ano em que o casal das Portas de Ródão se instalou.
Esta ave reproduziu-se pela primeira vez no seu 4º ano de vida (geralmente iniciam a reprodução entre o 3º e o 5º ano) e tem vindo a nidificar naquele local desde então.
A sua parceira actual não se encontra marcada, mas a anterior estava e num próximo post contarei mais em detalhe o que sei sobre os indivíduos deste casal.
Boas observações. Eu estarei a monitorizar outros casais de cegonha-preta e outras espécies e espero que depois contem o que se passou hoje. Até breve
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Sinais de que o primeiro voo está próximo
A cria já consegue efectuar batimentos de asa que a elevam mais de um metro no ar. A plumagem está totalmente desenvolvida e tenho a certeza que já consegue voar. Agora compete aos progenitores estimularem-na a levantar voo. Por vezes observa-se que os progenitores recusam fornecer alimento à cria ou são muito relutantes em ceder a esses pedidos. Depois deslocam-se a voar e isso poderá estimular as crias a segui-os. Vamos estar atentos.
O primeiro voo aproxima-se...
Terminei recentemente o trabalho de censo e monitorização da população de grifo na beira Baixa e Alto Alentejo e estive no início da semana na colónia das Portas de Ródão. A produtividade da colónia foi bastante boa, tendo apenas falhado 3 dos 32 casais presentes. A maioria das crias estão mesmo na fase dos primeiros voos, havendo já alguns que se aventuram uns metros largos dos ninhos e efectuam já curtos voos.
No caso do "nosso grifinho/a, o primeiro voo terá que ser a sério, pois não tem locais onde pousar abaixo da plataforma onde está ninho. É por isso conveniente que treine muito e que esteja em forma para que quando se aventurar pelos penhascos o consiga fazer bem de modo a não cair no Tejo
No caso do "nosso grifinho/a, o primeiro voo terá que ser a sério, pois não tem locais onde pousar abaixo da plataforma onde está ninho. É por isso conveniente que treine muito e que esteja em forma para que quando se aventurar pelos penhascos o consiga fazer bem de modo a não cair no Tejo
terça-feira, 17 de junho de 2008
Porque foram as cegonhas-pretas da Estónia anilhadas com as anilhas acima da articulação?
Para cada espécie é utilizado um tamanho de anilha apropriado para a dimensão do seu tarso ou tíbia (parte abaixo e acima da articulação respectivamente). Na maior parte das espécies as anilhas são colocadas logo acima da pata, no tarso. No entanto, em algumas espécies de aves aquáticas que possuem tarsos e tíbias muito longos, como é o caso das cegonhas, das garças e das limícolas, as anilhas podem ser colocadas na tíbia (acima da articulação), dado ser mais "confortável" para as aves, que geralmente se alimentam dentro de água, em zonas com lama e é também mais vantajoso para os observadores humanos, uma vez que as anilhas de cor se mantém mais limpas e visíveis. Os anilhadores tem sempre como primeira preocupação o bem estar das aves e todos os resultados (positivos ou negativos) são comunicados para quem coordena a actividade de forma a que a anilhagem e as anilhas sejam o mais inócuas possível para as aves. Convém também realçar que a anilhagem de aves tem geralmente objectivos específicos de carácter científico que a justificam e só se realiza quando há um objectivo a atingir.
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