terça-feira, 3 de junho de 2008
Que informação temos sobre os progenitores? Estão anilhados?
Os progenitores não estão anilhados, pelo que não é possível ter a certeza absoluta de serem os mesmos ao longo dos anos que o ninho tem estado ocupado. No entanto, observou-se fidelidade aos ninhos por diversos anos consecutivos de alguns indivíduos anilhados e o facto do casal ser constituído por dois indivíduos bem adultos (com mais de 8 anos, idade a partir da qual se torna impossível distinguir as classes de idades - sub-adultos e adultos) leva a supor que se trata do mesmo casal. Caso assim seja, criaram com sucesso uma cria em cada um dos últimos 5 anos.
Quanto tempo passam os progenitores fora do ninho?
É muito variável e depende da disponibilidade de alimento. O facto de se alimentarem de animais mortos faz com que, em situações naturais, o alimento surja de forma irregular no espaço e no tempo. Os adultos, tal como as crias bem desenvolvidas, podem passar vários dias sem comer, peo que as visitas para alimentar as crias podem não ser diárias em alturas de escassez de alimento.
Pessoalmente observei na zona do Tejo Internacional um progenitor de uma cria pequena, que estava anilhado, a dormir noutra colónia a cerca de 20 km do seu ninho. Provavelmente ter-se-à deslocado para muito longe em busca de alimento (podem afastar-se até 80 km da colónia) e dormiu longe do ninho, provavelmente para continuar a busca ou então por haver naquela zona uma fonte de alimento.
Pessoalmente observei na zona do Tejo Internacional um progenitor de uma cria pequena, que estava anilhado, a dormir noutra colónia a cerca de 20 km do seu ninho. Provavelmente ter-se-à deslocado para muito longe em busca de alimento (podem afastar-se até 80 km da colónia) e dormiu longe do ninho, provavelmente para continuar a busca ou então por haver naquela zona uma fonte de alimento.
Porque não se vêem ambos os progenitores no ninho?
Normalmente um dos progenitores permanece junto da cria durante as primeiras fases do seu desenvolvimento, para o proteger de predadores e dos elementos naturais (sol, chuva), frio. Na fase inicial é frequente observar os dois progenitores no ninho, mas assim que a cria atinge tamanho para resistir aos elementos e o risco de predação se torna mais reduzido, é mesmo normal que fique sozinho. Há uma grande variação entre os casais, sendo que uns passam muito tempo no ninho e outros pouco, sendo que isso também pode ser influenciado pela disponibilidade de alimento (menor disponibilidade, mais tempo fora do ninho em busca de alimento). As visitas ao ninho dos progenitores passam a ser cada vez mais rápidas, sendo que as trocas podem ocorrer muito rapidamente. Ontem ao final da tarde observei uma troca e foi um a chegar e o outro a levantar e se não estivesse com atenção nem me teria apercebido.
A cria que estamos a seguir é um(a) sortudo(a), pois tem protecção quase permanente de um dos progenitores. Como foi possível observar no vídeo de dia 29, ainda há algumas ameaças às crias mesmo bastante desenvolvidas, como a agressividade de outros membros da colónia, neste caso o abutre de Rueppell.
A cria que estamos a seguir é um(a) sortudo(a), pois tem protecção quase permanente de um dos progenitores. Como foi possível observar no vídeo de dia 29, ainda há algumas ameaças às crias mesmo bastante desenvolvidas, como a agressividade de outros membros da colónia, neste caso o abutre de Rueppell.
De que espécies são os arbustos junto do ninho?
Há duas espécies: o zambujeiro Olea europaea var. Sylvestris (o arbusto maior) e no canto inferior direito vê-se uma cornalheira Pistacea terebinthus (de cor verde mais clara).
Questão sobre o comportamento da cegonha-preta da Estónia
Fui questionado pela Luisa Moreira se já tinha presenciado o comportamento observado na Estónia em que a progenitora come duas das crias recém-nascidas, fenómeno designado por cronismo. Não, nunca presenciei tal comportamento (tal como a maioria dos especialistas que trabalham com estas espécies), pois numa situação normal isso requer uma grande dose de "sorte" em estar a observar o ninho no momento em que esse comportamento acontece. Tendo em conta que estas espécies são muito sensíveis à perturbação, quando as monitorizamos tentamos ser o menos intrusivos possível, ou seja, observamos geralmente a uma distância considerável e por curtos períodos de tempo, só mesmo por mero acaso poderia presenciar tal comportamento. No entanto, já suspeitei diversas vezes que este comportamento se tivesse verificado em ninhadas em que era conhecida a dimensão da postura e nos primeiros dias após a eclosão o número de crias era já inferior ao número de ovos. Isto pode ter-se devido a cronismo, mas também a morte natural da(s) cria(s), que são imediatamente removidas (ingeridas ou levadas para fora do ninho) pelos progenitores, mas nunca temos a certeza a não ser que se presencie a ocorrência. Apenas em situações de colocação de câmaras como a do nosso projecto ou dos outros que se encontram na net se podem extraír dados sobre estes fenómenos comportamentais raros e muito pontuais e isso aumenta significativamente o valor científico destes projectos.
Esse comportamento embora aos nossos olhos pareça cruel, é um mecanismo de regulação utilizado pelos progenitores quando "sentem" (isto é, avaliam com base na experiência que vivem dia a dia) que a disponibilidade de alimento vai ser insuficiente para assegurar que conseguem criar todas as crias. Assim preferem eliminar uma ou várias crias (ingerindo-as como recurso alimentar) do que deixá-las morrer à fome e assegurar que conseguem criar em boas condições as restantes.
Esse comportamento embora aos nossos olhos pareça cruel, é um mecanismo de regulação utilizado pelos progenitores quando "sentem" (isto é, avaliam com base na experiência que vivem dia a dia) que a disponibilidade de alimento vai ser insuficiente para assegurar que conseguem criar todas as crias. Assim preferem eliminar uma ou várias crias (ingerindo-as como recurso alimentar) do que deixá-las morrer à fome e assegurar que conseguem criar em boas condições as restantes.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Qual o sexo do grifinho?
Não é possível saber, pois nesta fase não há como distinguir os machos das fêmeas. A única maneira de termos ficado a saber teria sido retirar algumas penas pequenas ou penugem e fazer uma análise laboratorial. Contudo para a recolha de amostras biológicas em animais selvagens vivos é necessária uma autorização do ICNB, dado ser um processo intrusivo, que é concedida se o estudo em causa justificar essa recolha. Como aqui se tratava apenas de "matar" a curiosidade de todos nós essa autorização não foi pedida.
Ficou assustado? Foi agressivo?
Assustado ficou certamente. Qualquer ser selvagem que veja aparecer perto de si outro muito maior fica assustado. A sua reacção à minha aproximação foi fingir-se de morto, mas depois de o começar a manipular ainda esboçou alguma reacção a tentar bicar e afastar-se, daí ter-lhe colocado uma toalha sobre a cabeça. Assim acalmou-se e depois de terminar ficou muito sossegado no ninho. Claro que para isso a aproximação e saída do ninho são sempre efectuados com movimentos suaves e com o menor ruído possível.
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