Em 2008 iniciaram a nidificação na colónia das Portas de Ródão 23 casais de grifo. Este número inferior ao registado nos últimos anos (em 2006 e 2007 havia 32 casais).
Quanto ao número de crias, ainda não tenho um valor definitivo, pois só será feita a determinação da produtividade quando as crias estiverem quase a atingir a idade de voar, mas aparentemente a maioria dos casais está a conseguir criar o filhote com sucesso. Embora não tenha contado a colónia na totalidade recentemente, creio ter registado 15 crias já bastante desenvolvidas no mês de Maio. Dentro de mais uma ou duas semanas darei valores mais definitivos.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Porque não conseguimos ver ninhos de outras espécies como nos haviam anunciado?
As coisas nem sempre correm como nós queremos. A surpresa que estavamos a querer anunciar era que se poderiam visualizar também imagens de um ninho de Cegonha-preta (Ciconia nigra), cujo ninho se encontrava numa situação muito favorável para a câmara (a selecção inicial do local de colocação da câmara não foi aheia a este facto). No entanto os animais não se comportam como queremos e o casal escolheu um novo local para edificar um novo ninho, muito próximo do anterior, mas totalmente fora do alcance da câmara. Foi pena pois este casal tem neste momento 3 crias com cerca de 33 dias de idade e teria sido muito interessante alternar a visualização das ninhadas das duas espécies. Pode ser que no próximo ano...
É necessário colocar uma protecção na beirinha das escarpa para que a cria não corra o risco de cair?
Não, não é necessário esse tipo de cuidados. Os grifos evoluiram a nidificar em escarpas, dado que estas conferem uma boa base para a instalação dos ninhos e, regra geral, protecção contra predadores terrestres (como raposas) por serem inacessíveis. As crias possuem alguns mecanismos comportamentais que lhes permitem manterem-se mais seguras, nomeadamente comerem na posição deitada ou de "joelhos" (isto é, apoiados nos tarsos) quando os progenitores os alimentam, evitando assim desiquilíbrios e possíveis quedas, até estarem suficientemente desenvolvidos para se sentirem seguros em pé. Também se deslocam muito pouco na escarpa durante a maior parte do seu desenvolvimento e só quando a necessidade de fortalecerem as asas e os músculos se torna premente é que começam a aventurar-se um pouco mais.
Neste caso concreto o nosso grifinho é um previligiado, pois o seu ninho está numa plataforma muito grande e ele tem imenso espaço para treinar sem correr grandes riscos. Há outros ninhos nesta colónia em que as crias não tem mais do que o ninho para se moverem.
Apesar destas adaptações comportamentais, esporadicamente acontecem quedas acidentais, por exemplo uma rajada de vento quando as crias estão a exercitar as asas, mas são situações muito pontuais.
Na colónia das Portas de Ródão já se registaram diversas quedas de juvenis dos ninhos por passagem de aviões da força aérea demasiado próximos do local, mas aí o que os leva a cair é atirarem-se devido ao susto e ainda não terem capacidade de voar. Algumas destas crias bem como outras de quedas acidentais que cairam ao rio foram recolhidas ainda vivas por pescadores locais e levadas para o Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco (CERAS) onde puderam completar o seu desenvolvimento, aprender a voar e foram posteriormente libertadas junto da colónia.
Neste caso concreto o nosso grifinho é um previligiado, pois o seu ninho está numa plataforma muito grande e ele tem imenso espaço para treinar sem correr grandes riscos. Há outros ninhos nesta colónia em que as crias não tem mais do que o ninho para se moverem.
Apesar destas adaptações comportamentais, esporadicamente acontecem quedas acidentais, por exemplo uma rajada de vento quando as crias estão a exercitar as asas, mas são situações muito pontuais.
Na colónia das Portas de Ródão já se registaram diversas quedas de juvenis dos ninhos por passagem de aviões da força aérea demasiado próximos do local, mas aí o que os leva a cair é atirarem-se devido ao susto e ainda não terem capacidade de voar. Algumas destas crias bem como outras de quedas acidentais que cairam ao rio foram recolhidas ainda vivas por pescadores locais e levadas para o Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco (CERAS) onde puderam completar o seu desenvolvimento, aprender a voar e foram posteriormente libertadas junto da colónia.
Como se comportaram os progenitores?
Quando me aproximei do ninho encontrava-se lá um dos progenitores, que voou quando sentiu a minha aproximação. Durante o período em que estive no ninho andou a voar sobre as escarpas e passados alguns minutos após a minha saída das imediações regressou para junto da cria. Trata-se do comportamento habitual neste tipo de situações. Trata-se certamente de um stress para a cria e para os progenitores (quando presenciam a operação), mas tudo volta ao normal após alguns minutos. Daí termos que ser celeres neste tipo de operações. Esperemos agora que a anilha nos permita voltar a ter notícias do grifinho durante a sua vida após o abandono do ninho.
O risco de abandono da cria/ninho pelos progenitores nesta fase é muito reduzido, dado o grande investimento que foi feito na reprodução até aqui. No entanto aproximações este tipo podem facilmente provocar o abandono dos ninhos na fase da construção ou no período em que estão a fazer a postura ou a incubar os ovos. Por isso os técnicos autorizados a proceder a este tipo de operações, além de terem que estar habilitados a fazê-las, apenas visitam os ninhos quando é estritamente necessário e fazem-no sempre no período em que os riscos para as aves são mínimos.
O risco de abandono da cria/ninho pelos progenitores nesta fase é muito reduzido, dado o grande investimento que foi feito na reprodução até aqui. No entanto aproximações este tipo podem facilmente provocar o abandono dos ninhos na fase da construção ou no período em que estão a fazer a postura ou a incubar os ovos. Por isso os técnicos autorizados a proceder a este tipo de operações, além de terem que estar habilitados a fazê-las, apenas visitam os ninhos quando é estritamente necessário e fazem-no sempre no período em que os riscos para as aves são mínimos.
Como se comportou o grifinho durante a operação de anilhagem?
Como referi anteriormente a abordagem ao ninho e à cria tem que ser muito cuidadosa e temos que ter permanente atenção ao comportamento da cria. Neste caso o comportamento da cria foi ficar muito quieta como que a fingir-se de morta, o que é habitual nesta espécie. Isso facilitou a aproximação e o restante desenrolar da operação. Após a minha aproximação e durante a anilhagem a cria ficou algo nervosa, mas ficou calma e regressou à sua normal actividade após a minha saída e, principalmente, o regresso de um dos progenitores.
sábado, 31 de maio de 2008
Havia o risco dos progenitores abandonarem a cria e não retornarem a alimentá-la?
Essa possibilidade é praticamente nula no caso do grifo nesta fase do desenvolvimento da cria. Pela minha própria experiência e pela experiência de muitos biólogos e anilhadores com quem contacto, desde que a cria esteja bem e o evento perturbador seja pontual e de curta duração como a anilhagem ou a passagem nas imediações do ninho de um predador, os progenitores regressarão após o afastamento da ameaça.
Já marquei mais de 600 aves desta e de outras espécies de grande porte em situações semelhantes e nunca observei um abandono. Claro que todas as operações foram sempre efectuadas com todos os cuidados que referi anteriormente.
Já marquei mais de 600 aves desta e de outras espécies de grande porte em situações semelhantes e nunca observei um abandono. Claro que todas as operações foram sempre efectuadas com todos os cuidados que referi anteriormente.
Preparação da operação de anilhagem
Como havia referido no comentário que enviei, a logística para uma operação desta natureza é sempre algo complicada. O ponto essencial em qualquer acção de maneio de uma espécie que os técnicos fazem é assegurar que o risco de algo negativo acontecer ao espécime em causa (ave ou outro) é reduzido ao mínimo. Por isso tudo é planeado atempadamente de modo a assegurar que não há falhas e que a segurança da ave e da pessoa que procede à intervenção é integralmente assegurada.
Assim, em primeiro lugar, há o período em que se pode proceder à operação em segurança, ou seja a "janela" na qual a cria tem já dimensão suficiente para ser anilhada, mas ainda não está suficientemente desenvolvida para que haja o risco de saltar precocemente do ninho. Neste caso concreto estavamos a aproximarmo-nos a passos largos do limite máximo da idade a partir da qual não poderíamos proceder à intervenção.
Depois há que analisar com muito cuidado todo o trajecto até ao ninho, se é mesmo possível lá chegar e se este pode ser efectuado em segurança pelo anilhador. Isto implicou a presença de uma pessoa a dar indicações a partir da outra margem do rio. Do mesmo modo a abordagem ao ninho (de cima ou de baixo) e à cria tem que ser equacionada para reduzir ao mínimo a possibilidade da cria de poder deslocar e haver risco de queda. Por outro lado há que ter em conta que este tipo de operações provoca perturbação significtiva das aves, pelo que se tem que minimizar o mais possível, sem descurar a segurança, o tempo dispendido na realização de todas as operações. Todos estes passos foram pensados com calma para que tudo corresse de acordo com o planeado, o que aconteceu.
A abordagem ao ninho acabou por ser algo mais complicada do que inicialmente previsto, uma vez que a parede apresentava grandes diferenças de relevo, o que obrigou à utilização de algumas técnicas algo complicadas como ter que balançar na corda para agarrar um ponto de apoio e então progredir para o ninho. Mas tudo correu optimamente e de forma rápida e eficaz, o que se pode observar após o retorno de um dos progenitores ao ninho muito pouco tempo após a intervenção.
A cria encontra-se em óptima condição física, está gordinho, não apresenta quaisquer sinais de doença ou parasitas e tudo indica que os progenitores levarão a bom termo a sua criação até à idade da emancipação.
Assim, em primeiro lugar, há o período em que se pode proceder à operação em segurança, ou seja a "janela" na qual a cria tem já dimensão suficiente para ser anilhada, mas ainda não está suficientemente desenvolvida para que haja o risco de saltar precocemente do ninho. Neste caso concreto estavamos a aproximarmo-nos a passos largos do limite máximo da idade a partir da qual não poderíamos proceder à intervenção.
Depois há que analisar com muito cuidado todo o trajecto até ao ninho, se é mesmo possível lá chegar e se este pode ser efectuado em segurança pelo anilhador. Isto implicou a presença de uma pessoa a dar indicações a partir da outra margem do rio. Do mesmo modo a abordagem ao ninho (de cima ou de baixo) e à cria tem que ser equacionada para reduzir ao mínimo a possibilidade da cria de poder deslocar e haver risco de queda. Por outro lado há que ter em conta que este tipo de operações provoca perturbação significtiva das aves, pelo que se tem que minimizar o mais possível, sem descurar a segurança, o tempo dispendido na realização de todas as operações. Todos estes passos foram pensados com calma para que tudo corresse de acordo com o planeado, o que aconteceu.
A abordagem ao ninho acabou por ser algo mais complicada do que inicialmente previsto, uma vez que a parede apresentava grandes diferenças de relevo, o que obrigou à utilização de algumas técnicas algo complicadas como ter que balançar na corda para agarrar um ponto de apoio e então progredir para o ninho. Mas tudo correu optimamente e de forma rápida e eficaz, o que se pode observar após o retorno de um dos progenitores ao ninho muito pouco tempo após a intervenção.
A cria encontra-se em óptima condição física, está gordinho, não apresenta quaisquer sinais de doença ou parasitas e tudo indica que os progenitores levarão a bom termo a sua criação até à idade da emancipação.
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