terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Iremos ter um grifo no ninho principal?

Neste preciso momento encontra-se no ninho um Grifo, que se encontra a compor o ninho. Será que é o parceiro do abutre de Rueppell? É possível que sim, mas vamos ter que esperar para ter a certeza

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O Abutre de Rueppell é uma espécie exótica?

Não. Neste caso trata-se provavelmente de uma ave de ocorrência acidental, ou seja uma ave que surge entre nós de forma natural, mas em que esse ocorrência é extremamente rara. Este fenómeno não é novo e acontece todos os anos especialmente durante os períodos de migração, em que algumas aves se desviam das suas rotas migratórias, por exemplo, devido a tempestades, e surgem em locais pouco habituais, fora das suas áreas normais de distribuição. Regra geral estes indivíduos "perdidos" não se estabelecem como reprodutores, embora isso esporadicamente possa acontecer. São disso exemplo o Pato-preto-americano Anas rubripes na Ilha do Corvo, Açores ou o abutre de Rueppell que nidificou no Parque Natural do Tejo Internacional em 1999.
Na Europa surgem todos os anos espécies tipicas do continente americano, asiático e mesmo africano que aí não ocorrem de forma regular. As ilhas açorianas são particularmente ricas neste fenómeno, havendo actualmente uma verdadeira indústria turistica do chamado turismo ornitológico das raridades. Para saber mais sobre este tema, consulte a página da SPEA (www.spea.pt) onde existe uma secção dedicada a este assunto.


No caso particular dos abutres de Rueppell a sua chegada à Península Ibérica é feita devido aos movimentos migratórios dos grifos. No final do Outono, as aves jovens e imaturas reunem-se em grandes bandos que migram até ao norte de África e Alguns locais da África sub-sahariana, como a Mauritania e o Senegal. Aí misturam-se como os Abutres de Rueppell residentes, que os acampanham na migração para Norte no final do Inverno. Nos últimos anos o número de registos de abutres de Rueppell na região do estreito de Gibraltar (local por onde as aves atravessam o mar Mediterrâneo durante a migração) aumentou, pelo que actualmente existem vários indivíduos na Península Ibérica, embora em locais distintos. Pode ser que outro se decida a visitar a colónia onde temos a câmara e se dê o acasalamento com o nosso abutre!

O ovo é abandonado em alguma ocasião?

Não, a não ser que as aves sejam bastante perturbadas, por exemplo pela proximidade excessiva de seres humanos. O progenitor apenas sai de cima do ovo por breves instantes, geralmente no início da manhã, para exercitar as asas, para aquecer ao sol (geralmente de asas abertas) ou para defecar. Também se levantam diversas vezes por dia para rodar o ovo de forma a lhe assegurar um fornecimento de calor adequado.

Quem trata da incubação do ovo?

Ambos os progenitores. A partir do momento que o ovo é posto, o macho e a fêmea irão alternando a tarefa de incubação. As trocas ocorrem uma vez por dia ou de dois em dois ou mesmo de três em três dias. Desta forma quer o macho quer a fêmea podem deslocar-se em busca de alimento, regressando ao ninho quando saciados, para tomar a vez do parceiro.

O abutre de Rueppell já tem parceiro?

O abutre de Rueppell continua aparentemente sem parceiro, isto é, não acasalado. Não são conhecidos em estado selvagem casais híbridos entre o abutre de Rueppell e o grifo (ou outras espécies de abutres), embora isso já tenha sido observado em circustâncias de cativeiro.

Ainda é cedo para saber se vai ou não acasalar. Até ao momento não foi avistado outro indivíduo da mesma espécie naquela região, pelo que a expectativa é ver se formará um casal híbrido com um grifo. Também não se sabe se, caso tal viesse a acontecer, produziriam ou não descendência viável.
Teremos que ter paciência e esperar para ver o que se irá passar.

Quem está onde?

Tem surgido a dúvida em alguns dos comentários enviados acerca de que espécie está a ocupar os ninhos que se conseguem observar.
A sequência foi a seguinte: o ninho "principal" foi inicialmente ocupado pelo abutre de Rueppell, em finais de Novembro. No dia 7 de janeiro, bem como em outras ocasiões, observaram-se grifos nesse ninho e inclusivamente observaram-se algumas cópulas, sempre entre grifos. No entanto, o "dono" do ninho continuou a ser o Abutre de Rueppell, que conseguiu eficazmente repelir todos os grifos que tentaram ocupar o ninho (ver um dos videos mais recentes).

O segundo ninho (o que se vê menos bem) foi ocupado por um casal de Grifo que já efectuou a postura do seu único ovo. Espera-se que o ovo ecloda em meados de Março. Agora poderão observar-se esporadicamente trocas entre o macho e a fêmea na tarefa de incubar o precioso ovo.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Como foi colocada a câmara de filmar? O seu funcionamento incomoda os abutres?

Todos os passos deste projecto foram muito bem planeados tendo sempre um objectivo primordial: assegurar que não se prejudicavam os grifos e as restantes espécies que nidificam naquele local. Estas espécies necessitam de muita tranquilidade nos locais onde nidificam, havendo o risco de abandonarem os ovos ou as crias, ou mesmo abandonarem definitivamente o local se forem muito perturbadas.
Tendo este factor em conta, o projecto foi avaliado por técnicos especializados na biologia da espécie, que decidiram a melhor forma de actuar de modo a minimizar o impacte desta acção sobre as aves da colónia em causa.
a colocação da câmara foi efectuada antes do início do período reprodutor, numa fase em que o impacte da presença humana nas escarpas é mais reduzido e procurou-se fazer a sua colocação no mais curto espaço de tempo possível. O local onde foi colocada não interfere com locais de poiso ou com os movimentos das aves e encontra-se a cerca de 3 a 4 metros do ninho.
A câmara escolhida apresenta uma estrutura adequada para esta finalidade, pois encontra-se dentros de uma redoma de vidro e possui um braço que permite a sua fixação à rocha (assemelha-se a um candeeiro) e toda a estrutura foi pintada de forma a ficar integrada no ambiente envolvente. Não produz ruído a funcionar e o movimento quando se desloca é quase imperceptível, pois fá-lo no interior da redoma de vidro.
As evidências de que não interfere com as actividades das aves são o facto de a terem aceite com bastante rapidez e de se estarem a comportar de forma totalmente natural, não mostrando quaisquer sinais de inquietação.